Seicessevripo: abril 2015

terça-feira, 14 de abril de 2015

SEMANA DA ARTE MODERNA


A Semana da Arte Moderna aconteceu no Teatro Municipal em São Paulo entre 11 e 18 de Fevereiro de 1922, Foram apresentadas novas correntes artísticas que se opunham ao estilo tradicional. Os artistas começaram a preservar o nacionalismo, procurando criar uma identidade própria.


Houve em seu contexto histórico as revoltas militares (tenentismo), que foi a insatisfação no exército, a Coluna Prestes, ideais revolucionários comunistas contra os latifundiários, a instabilidade econômica mundial que afetou o Brasil, o fim da política do café com leite, a era Vargas e a industrialização de São Paulo.

Os principais objetivos da Semana da Arte Moderna era acertar os ponteiros das expressões artísticas com a modernidade da época, romper os padrões clássicos, apresentar correntes artísticas (Futurismo, Dadaísmo, Expressionismo, Surrealismo e Cubismo), buscar o Antropofagismo e criar uma arte puramente brasileira, sem influências de culturas de outros país.

Os idealizadores da Semana da Arte Moderna foi, principalmente: Anita Catarina Malfatti, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Tarsila Do Amaral, Manuel Bandeira, Oswald de Andrade, Ismael Nery, Mario de Andrade e Heitor Vila Lobos.

Obra "Tempos Modernos" de Di Cavalcanti

DRAMATIZAÇÃO POEMA "O BICHO" DE MANUEL BANDEIRA

terça-feira, 7 de abril de 2015

SEGUNDA FASE DO MODERNISMO


Iniciado em 1930, indo até 1945. Foi um período rico na história literária, enfrentou o governo de Getúlio Vargas e a Segunda Guerra Mundial.

As poesias da segunda fase mostra um amadurecimento sob a primeira fase, conquista em 1922. E foi totalmente influenciada pela primeira fase, tanto que Carlos Drummond de Andrade dedicou seu primeiro livro (Algumas Poesias) à Mario de Andrade.

Os principais autores dessa fase são: Cecilia Meireles e Carlos Drummond de Andrade.

PARA SEMPRE - Carlos Drummond de Andrade.

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

TIMIDEZ - Cecilia Meireles

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...

- mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras distantes...

- palavras que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

- que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...

- e um dia me acabarei.

PRIMEIRA FASE DO MODERNISMO


Iniciou-se com a "Semana da Arte Moderna" que aconteceu em 2022, e ocorreu com a tentativa de inovar nas obras e pela divulgação das ideias modernistas.

Os escritores dessa época defendiam o nacionalismo, pois eles queriam obras com histórias do Brasil e sem apego de cultura que vinha do exterior. Defendiam o abordamento da história e do passado do Brasil.

Os principais autores dessa fase foi: Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira.

A seguir, uma poesia de cada um dos autores citados acima, que me definem (ou quase):

TENTAÇÃO - Mario de Andrade

Eu fechei os meus lábios para a vida
E a ninguém beijo mais, meus lábios são,
Como astros frios que, com a luz perdida,
Rolam de caos em caos na escuridão.

Não que a alma tenha já desiludida
Ou me faleçam os desejos, não!
O que outrem prejulgava uma descida,
É subir para mim, elevação!

Vejo o calvário por que anseio, vejo
O Madeiro sublime, "Glórias" ouço,
E subo! A terra geme... eu paro. (É um beijo.)

A moita bole... Eu tremo. (É um corpo.) Oh Cruz,
Como estás longe ainda! E eu sou tão moço!
E em derredor de mim tudo seduz!...

MEUS OITO ANOS - Oswald de Andrade

Oh que saudades que eu tenho
Da aurora de minha vida
Das horas
De minha infância
Que os anos não trazem mais

Naquele quintal de terra
Da Rua de Santo Antônio
Debaixo da bananeira
Sem nenhum laranjais

Eu tinha doces visões
Da cocaína da infância
Nos banhos de astro-rei
Do quintal de minha ânsia
A cidade progredia
Em roda de minha casa
Que os anos não trazem mais

Debaixo da bananeira 
Sem nenhum laranjais

O BICHO - Manuel Bandeira

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio 
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava: 
Engolia com voracidade. 
O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. 
O bicho, meu Deus, era um homem.